Um novo e detalhado laudo pericial, com reconstrução em 3D, concluiu que a morte do menino Henry Borel Medeiros, de 4 anos, foi resultado de agressões físicas, descartando de forma definitiva a hipótese de queda acidental. O documento, anexado ao processo que tramita no II Tribunal do Júri da Capital, reforça que o conjunto de lesões encontradas no corpo da criança é incompatível com qualquer tipo de acidente doméstico.
O laudo, elaborado pela Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia (Dedit) como assistência técnica do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), detalha que as lesões externas e internas só podem ser explicadas por ações contundentes repetidas. Essa análise técnica afasta a versão apresentada pela defesa do ex-vereador Dr. Jairinho e de Monique Medeiros, mãe de Henry, que sustentavam a queda da cama como causa da morte.
Incompatibilidade com Queda Acidental
A perícia utilizou modelagem em 3D e uma reprodução simulada do caso, concluindo que a morte de Henry não foi um acidente. Segundo o documento, a disposição dos móveis no apartamento, localizado na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, e a altura dos objetos não seriam capazes de causar a quantidade e a gravidade dos ferimentos identificados.
Mesmo em simulações de quedas de diferentes alturas, o corpo do menino não apresentaria os traumas verificados, confirmando que Henry foi vítima de uma sucessão de ações agressivas. A investigação descartou totalmente a versão de que o menino teria caído da cama.
Causa da Morte e Cronologia dos Fatos
Uma das principais conclusões do laudo aponta que a causa da morte foi laceração hepática com hemorragia interna, provocada por ação contundente. Os peritos indicam que esse tipo de lesão não causa morte imediata, podendo resultar em óbito entre duas e quatro horas após a agressão.
A perícia estima que Henry morreu entre 1h30 e 2h30 da madrugada de 8 de março de 2021, cerca de duas a três horas antes de dar entrada no Hospital Barra D'Or, por volta das 4h30. Ele já teria chegado sem vida à unidade hospitalar, apresentando inclusive sinais iniciais de rigidez cadavérica.
Implicações para o Julgamento
A divulgação deste novo laudo pericial, que reitera as conclusões da acusação, fortalece a tese de homicídio contra Monique Medeiros e Dr. Jairinho. O pai de Henry, Leniel Borel, assistente de acusação no caso, declarou que o documento "confirma o que a investigação já indicava há anos: não foi acidente, não foi queda".
Monique Medeiros e Jairo Souza Santos Júnior (Dr. Jairinho) são réus pela morte de Henry Borel, ocorrida em 8 de março de 2021. O caso teve grande repercussão nacional e motivou a criação da Lei Henry Borel, que visa a proteção de crianças e adolescentes contra a violência doméstica.

Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se