A Beija-Flor prepara-se para converter a passarela do samba num imenso terreiro a céu aberto. Com o enredo focado na mística de Santo Amaro da Purificação, a escola de Nilópolis pretende realizar o que chama de "o maior candomblé de rua do Brasil". A proposta é celebrar não apenas a religiosidade de matriz africana, mas a forma como ela se funde com a vida quotidiana, a música e a resistência do povo baiano.
A Benção de Dona Canô e o Legado dos Veloso
O fio condutor desta viagem pelo Recôncavo é a família mais ilustre da região. A Beija-Flor prestará uma homenagem profunda a:
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Dona Canô: A matriarca será celebrada como o símbolo da fé e da hospitalidade, unindo o sagrado e o profano com a sabedoria das "mães" baianas.
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Maria Bethânia e Caetano Veloso: Os irmãos serão os grandes embaixadores deste enredo. A escola explorará a conexão de Bethânia com Iansã e o papel de Caetano como o poeta que traduz a alma do Brasil para o mundo.
Estética: Entre o Terreiro e o Barroco
O carnavalesco da agremiação desenhou um projeto que promete luxo e rigor histórico:
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Visual Imponente: Espere ver muito dourado (referência às igrejas barrocas da Bahia) misturado com as fibras naturais, palhas e o branco imaculado das vestes de santo.
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A Força da Comunidade: A bateria "Soberana" prepara bossas que remetem ao toque dos atabaques, garantindo que a sonoridade do desfile acompanhe a proposta ritualística do enredo.
Um Desfile de Identidade
Para os dirigentes da Beija-Flor, este enredo é um regresso às raízes da escola, que sempre se destacou ao tratar de temas afro-brasileiros com grandiosidade. "Não é apenas um desfile, é um ato de afirmação da nossa identidade e um agradecimento à Bahia por tudo o que ela nos deu", afirmou a direção de carnaval.

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