A ativista iraniana Narges Mohammadi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, foi transferida às pressas de sua cela para um hospital nesta sexta-feira (1º de maio de 2026). A medida ocorre após um agravamento severo em seu estado de saúde, que é classificado como "crítico" por sua fundação e familiares. Mohammadi, uma das vozes mais proeminentes na luta pelos direitos das mulheres no Irã, estava detida desde dezembro de 2025 após proferir novas críticas ao regime de Teerã.
Relatórios médicos e denúncias de grupos de direitos humanos indicam que a saúde da ativista vinha se deteriorando de forma alarmante nos últimos meses. De acordo com sua fundação, Narges perdeu cerca de 19 quilos durante o período de encarceramento e enfrentou o que seus apoiadores chamam de "morte em câmera lenta". A situação se tornou insustentável após ela sofrer um infarto na prisão, momento em que, segundo denúncias, o tratamento especializado adequado teria sido inicialmente negado pelas autoridades carcerárias.
Histórico de negligência e luta
A transferência para o hospital foi cercada de sigilo e pressão internacional. Narges Mohammadi tem um longo histórico de problemas cardíacos e pulmonares, condições que foram severamente agravadas pelas condições precárias da prisão e pela falta de assistência médica contínua. Em comunicados anteriores, sua família já havia alertado que a permanência da ativista na prisão de Evin, conhecida por abrigar presos políticos, representava um risco iminente de vida.
O Nobel da Paz foi concedido a Mohammadi em 2023 por sua luta incansável contra a opressão das mulheres no Irã e por seu esforço global na promoção dos direitos humanos e da liberdade para todos. Mesmo atrás das grades, ela continuou a enviar mensagens de resistência, o que resultou no aumento de sua pena e no endurecimento das restrições impostas a ela.
Reação Internacional
Organizações internacionais, incluindo a Anistia Internacional e o Comitê do Nobel, têm monitorado de perto o caso e reiterado pedidos para sua libertação imediata por razões humanitárias. Até o momento, o governo iraniano não emitiu um pronunciamento oficial sobre a gravidade do quadro clínico ou sobre quanto tempo a ativista permanecerá sob cuidados hospitalares antes de ser (ou não) reconduzida ao sistema prisional.
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